domingo, 25 de setembro de 2011

Man of a certain age


Não é fácil envelhecer com certa dignidade. O fantasma dos 40 instala-se no casarão mal-assombrado, resta o compartilho do domicílio. Porém, é o espectro tal qual Pedro Malazarte. Aconteceu comigo há alguns anos. De Brasília para São Paulo, visitar a mama. Toca o celular. Na linha, meu amigo Jaceguai, apelido Tritongo: “Tô comprando ingresso pro Skol Beats, borá?”. “Buenas, sei lá, vamos”, respondi sem maiores reflexões sobre a idiotice futura. Pelo menos, a bela Luísa estaria lá. Sempre uma oportunidade. O drama começa no carro do Tritongo: seis no Uno Mille verde metálico. Estacionamento há uns cinco quilômetros do Sambódromo, o megapoint da música eletrônica. E frio, muito frio.  
No lugar, um tal de “tio, tem cigarro?”, “o senhor sabe onde fica a tenda do psycho trance?”. Não, o tio não tinha cigarro. O senhor também não tinha a menor ideia da tal tenda. Aliás, até hoje não tem a menor ideia do que é psycho trance. Queria ir embora dali. Não consegui encontrar Luísa. Estava no lado direito do palco, onde Prodigy tocava enloquecidamente Firestarter. O lado direito tinha, por baixo, umas 15 mil pessoas. Eu, do lado esquerdo, com outras 40 mil em volta. Impossível encontrar alguém. Desisti. De Luisa, do psycho trance e aquilo tudo. Era umas 3h da madrugada. Só queria ir embora. Onde estava Tritongo? Não atendia o celular. Os seus quatro amigos também desaparecem pelas tendas e palcos. Às quatro e meia da manhã, saco na lua, acho Tritongo agarrado numa mocinha. “E aí, camarada, hora de ir, não?”. Num átimo de segundo, a resposta da jovem: “Vamos ver o sol nascer”. Mais duas horas de sofrimento, ali, ouvindo Tati Quebra-barraco com o hit Boladona: “Na madruga boladona, sentada na esquina. Esperando tu passar...”. Boladão estava eu, quase 8h. Os amigos do Tritongo aparecem. Quer dizer, três deles. O Pobre Loko estava desaparecido. Só o reencontramos no estacionamento, 9h30. Bêbado, tinha perdido o celular. Praticamente um milagre ter encontrado o carro.
No caminho de volta, marginal Tietê, Pobre Loko põe pra fora quatro cachorros quentes, 14 cervejas, quatro pingas, três churros e sei lá mais o quê. Espremido num carro fedorento, morrendo de sono, chego em casa na hora do almoço. Fim de semana findado, volto para a capital do País. Ainda na esteira do aeroporto, o telefone toca. Meu amigo Epifânio: “Tô indo comprar ingresso pro show do Ozzi, vamô?”. Com todo respeito ao velho gagá líder do lendário Black Sabbath, mas prevendo ser outra artimanha de Malazarte por trás da voz rouca de Epifânio, lasquei: “Declino, meu velho. Depois de uma certa idade, só show da Sinfônica de São Paulo, pela TV Cultura”.   




“ Não sei a origem do seu nascimento
no meu pensamento ele veio de marte
Talvez ele seja de outro planeta
Pior que o capeta só fazia arte
Seu tipo gozado seu jeito manhoso
Ficou fabuloso por todas as partes
Seu nome completo não foi conhecido
Mas seu apelido é Pedro Malazarte”





quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Amor a distância. Perigo é constância


Volto agora de Recife. A breve viagem à capital pernambucana lembrou-me da primeira vez que lá estive, muitos anos atrás. Jornada tipo mochila-albergue, quando este Cachorro Cansado ainda esbanjava energia. Parcos recursos, muita emoção. No albergue recifense, conheci Andréia. Morena, longos cabelos cacheados. Três dias de romance tropicaliente em Porto de Galinhas, Calhetas, Olinda e outras quebradas. Depois, segui meu roteiro: próxima parada Maceió. Andréia, sentido inverso, foi para Natal. Combinamos o reencontro em Sampa. Andréia morava em São Miguel Paulista, na zona Leste. Eu, Santo André. Algo fora de mão.
Retorno das vacaciones, lá fui rever a linda morena sestrosa. Tinha eu um surrado Fiat Spazio branco, por demais rodado e pequenos problemas técnicos. Um deles: o marcador de combustível, com menos de meio tanque, deixava de funcionar. But, love is in the air, lá fui visitar a moça. No caminho, me chamou a atenção uma ponte perto da Nitroquímica. Só uma mão de cada vez, como a ponte pênsil aqui de São Vicente.  Depois de muito rodar perdido por São Miguel, estou em casa de Andréia.

Depois dos beijinhos e carinhos sem ter fim, já tarde da noite, hora de voltar ao ABC paulista. Porém, crise I: não sabia se a gasosa do Fiat daria para chegar. Crise II: postos fechados nos finais de semana. Era Guerra do Golfo, racionamento de combustíveis decretado pela governo. Crise III: tava com medo de me perder tarde da noite nas veredas de São Miguel.

A solução foi dormir na casa de Andréia. O pai, cabo Tenório, ex-militar aposentado, não gostou nada daquilo. Fama de homem duro, complementava a parca pensão como uma espécie de “miliciano local”, fazendo “segurança” para estabelecimentos comerciais. Ao saber do drama do caboclo aqui, rugiu para a filha: “Primeiro dia o cabra quer dormir aqui?” Buenas, com o consentimento da mãe, dona Elza, alojaram-me no quarto do irmão de Andréia, vago desde que o moleque foi estagiar na Febem.

Duas da madruga, Andréia entra sorrateira no quarto do irmão. Num átimo de segundo, o que parecia ser subida ao céu tornou-se descida ao inferno. Nem bem nos ajeitamos debaixo dos lençóis, a luz do quarto acende. Seu Tenório, vento pelas ventas, me bota na rua, peixeira numa mão, garrucha noutra. Só deu tempo para pôr a calça Lee e a botina marrom da London Fog. O resto das roupas, vesti no carro. Voei dali. Na tal ponte, o Fiat empaca. Acaba a gasolina. 


Alta matina. Desço e empurro o veículo, àquela altura tão pesado quanto dois elefantes. Sob olhares das corujas, morcegos, sanguessugas da noite e outros seres a me assombrar a mente, tiro o carro da tal ponte de mão única. Deixo o Fiat no acostamento da estrada e sigo a pé, atrás de combustível.

Cinco minutos de caminhada, chuva braba. Quinze minutos, acho um posto. Obviamente, fechado como determinou o governo do País. O vigia do posto, depois de ouvir minha estória, concordou em me vender "clandestinamente" uns poucos litros do seu próprio Fusquinha. O que me cobrou pelo favor daria para encher o tanque do Fusca duas vezes. Ele ainda foi gentil, largou o trabalho e me levou de Fusca até o Fiat.

Tanque parcialmente reabastecido do meu carro, fui rezando para conseguir chegar em casa. Não orei o suficiente. A gasolina acabou de novo, no centro de Santo André.  Já raiando o dia, de um orelhão, peço socorro ao seu Luiz, meu pai. "Feliz e animado" em acordar tão cedo num domingo vai me salvar com mais dois litros de gasolina em duas garrafas de cachaça Tatuzinho. Só posso dizer que naquele dia, a noite foi longa.

Nunca mais falei com Andréia. Com certeza daria uma bela história de amor não morasse ela tão longe de mim, fosse cabo Tenório um sujeito mais compreensivo, tivesse eu um carro mais novo e Sadam Hussein não invadisse o Kuwait. Naquele tempo, Cecília Meirelles me acompanhou por alguns meses: “De longe te hei de amar- da tranquila distância em que o amor é saudade e o desejo, constância”. Tranquila “e segura” distância, remendava eu o verso.


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Por uma falha técnica, apaguei uma 
parte considerável dos comentários. 
Foi sem querer, 
desculpem-me.


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A poção do amor*


O folheto colado no poste anunciava: “tarô e poção para o amor”. Sem êxito, já tentara o tarô. A poção poderia funcionar. Contatei o telefone indicado. Problema: o “elixir”, como disse a vidente-callcenter, não saía barato. Resolvi eu mesmo produzir meu passaporte líquido para conquistar Stephanie, a bela filha da vizinha e proprietária de um Crossfox preto, ano 2008.
Parti para a investigação científica. 
Na quase escuridão do porão de um antigo sebo, centro velho de São Paulo, encontrei a luz: The Best of the forbidden knowledege (O melhor do conhecimento proibido). No capítulo sobre
 feitiços amorosos, a receita - a ser feita na primeira noite da lua nova: um caldeirão de cobre; um litro de água mineral; oito paus de canela; oito folhas do pé de cravo; oito pétalas de rosa cor-de-rosa; dois cogumelos selvagens; uma mecha de cabelo de velha fofoqueira; um incenso de patchuli, e um charuto Romeu y Julieta (made in Cuba).
Não tinha todos os ingredientes. Resolvi improvisar. Afinal, em assuntos esotéricos o que vale mesmo é a fé e a intencionalidade da coisa. Faltaram os paus de canela (que nem sei o que são), os cogumelos e o charuto. No lugar do caldeirão, uma panela Clock quebrava bem o galho. A velha fofoqueira podia ser a mãe de Stephanie. Conhecida, apropriadamente, como “dona Gazeta” (foto abaixo, à esq), foi fácil descolar uns chumaços de sua cabeleira “azul lagoa”. Coincidência (ou providencial desígnio divino), dias antes, minha mãe, que defendia uns trocos como cabelereira, deu uma aparada no teto da dona Gazeta. Seus fios celestes ainda estavam lá, no lixo do quartinho - o salão de beleza improvisado da mama. Os cogumelos peguei da latinha de funghi, do Carrefour. E o charuto cubano substituído por um mui similar, e infinitamente menos custoso, de uma casa de umbanda. 

Tudo preparado para conquistar Stephanie, que – absoluta - descia e subia a rua de casa em seu Crossfox sem me dar a menor bola. Chega a primeira noite de lua nova. Rumo para um lugar ermo – o baixo de um viaduto. Sigo as instruções do livro: embole as mechas de cabelo em seus próprios caracóis, misture os demais ingredientes no caldeirão (panela, no meu caso) – ao ferver, tome três colheres de sopa - e dê “cinco” tragadas fortes no charuto. Segure o fumacê no peitoral por, pelo menos, trinta segundos. Espere o efeito de a fumaça subir pra cuca. Durante 45 segundos, dance para a lua. Por fim, mentalize seu objeto de desejo. Fiz isso. Bebi a gororoba e fumei com gosto o charutão. Prendi a fumaça no peito, num átimo de segundo, veio a tontura. E, desajeitado, executei o rebolation lunar.


Fiquei infinitamente mais zonzo que político tucano almejado por projétil de celulose amassada. E, ao invés de visualizar a bela Stephanie, a fisionomia que surgiu na minha mente foi a de dona Gazeta. Semblante em ódio, fitava-me como a me ameaçar por romper as barreiras do sobrenatural, sem autorização do extra-mundo, e ainda enfiá-la nas minhas mandingas de iniciante. Súbito, vomitei até as tripas, tal qual tivesse bebido uns cinco litros do chá do Santo Daime. Meio morto vivo, mais morto que vivo, depois de horas da auto-limpeza estomacal fui para casa.
Depois de dormir em sono REM por alguns séculos, pesadelos de toda sorte e ainda me recuperando dos efeitos do poderoso elixir, sou surpreendido com um apetecível bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Comenta a mãe: “Não entendi nada. Mas a Gazeta deixou aqui, bem cedinho”. Deste então, meus dias são feitos de sorrisos e confeitos, mimoseados pela dona Gazeta; ela que, além de exímia propagadora de relevantes informações sobre membros da comunidade, é ótima confeiteira. Todavia, sobro-me preocupado com a cara feia e desconfiada do seu Waldemar, pacato cônjuge de dona Gazeta. E a Stephanie, no seu Crossfox, continua a sair por aí, para se divertir...e segue altiva sem olhar para mim.


*Publicado originalmente em 6 de novembro de 2010

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sobre o Dia do Solteiro...inventam cada bobagem


"Cabe à mulher casar-se quanto antes
e ao homem ficar solteiro o maior tempo que puder"


"Penso, logo sou solteiro"


Um solteiro pode ser tão idiota quanto um 
homem casado, mas ele ouve isso menos vezes.


domingo, 17 de julho de 2011

Meu carro "ciumento" - reloaded

Tinha meus 19 para 20 anos. Meu pai havia trocado de carro e deixou para mim seu Passat preto, ano 82, série Sport especial, apenas 1,2 mil unidades produzidas. O sonho de consumo de qualquer jovenzinho entre a pós-adolescência e a pré-adultice. Para mim, a própria supermáquina: teto solar, rodas de liga leve, spoiler, conta-giros, bancos Recaro, toca-fitas Rodstar. Bandido mesmo. Fazia história na USP e jornalismo na Metodista. No curso de história antiga, conheci Kelly Cristina, moça moderna. Sempre de preto, cabelo vermelho e gatinha de tudo. Entre uma aula de helenismo e outra sobre o império romano, empatia mútua.



Combinamos de sair. Sábado à noite. Love is in the air, passei na casa de Kelly Cristina. Linda, pele branca, vestido preto e aqueles cabelos vermelhos; lembrei da bandeira do estado de São Paulo, mas tudo bem. E quis impressionar a moça - claro que até onde isso era possível para quem andava sempre durango e a pouco grana que tinha era para pôr gasosa no foguete.

Para descolar um troco extra pro nosso first date, até aluguei meu tênis All Star pro filho da empregada que queria levar uma mina no parquinho lá das quebradas onde morava. Sem drama. Para sair com a Kelly Cristina usaria meu Tiger vermelho (o qual, aliás, combinava com as madeixas encaracoladas da bonita).
 
Fomos a uma choperia alemã no Largo de Moema. Mesa na calçada. Muitos chopes, vários schnapps (não tinha lei seca naqueles dias). E era esquema meio rodízio, preço único, dava para fazer a festa: oito tipo de linguiças, onze variedades de salsichas, costeleta de porco salmonada, repolho roxo e chucrute. A moça, educada, comeu só uns negocinhos. Eu tirei a pança do refluxo. Vela na mesa e até dei uma rosa pre´la, daquelas que os ambulantes vendem de mesa em mesa. Tudo too much romantic. Tudo corria bem. Pure romance.

Hora de ir embora. Meu Passat, aquela verdadeira Lótus estacionada em frente ao estabelecimento. Reclinei o banco Recaro. No Rodstar, cassete Basf rolando “Kashmir”, do Led Zepellin - sugestão do Picardias Estudantis, na sessão da tarde. Teto solar aberto. Uns amassos inocentes. Friozinho na barriga, a vida era, realmente, bela e o amor tinha cabelos vermelhos.

Pois bem, tarde da noite, sorriso maroto nos lábios, chave na ignição...e, nada. Nem sinal do motor funcionar. Sorriso maroto passou prá amarelo-limão. Do frio na barriga para estômago gelado. Não teve jeito. A solução era empurrar o danado.Kelly Cristina assume o volante. Não tinha ideia de como um Passat preto era pesado até ter que empurrar um. Toda minha força de Mighthor não dava conta. Cheio de vergonha, chamei uns guardadores para dar uma ajuda. Os filhos da puta nem se mexeram e ainda mandaram uns gracejos para Kelly Cristina: “segura firme aí no câmbio”; “engata e goza” e “deixa eu entrar na carruagem da princesa”. Eu pê da vida e sem qualquer moral para encarar os maloqueiros ali. Os olhos então começam a virar, tonteira, zoeira na cabeça: pronto, vomitei todo o banquete germânico de pouco antes. E bem no pé direito do Tiger vermelho.

Kelly Cristina fez cara de nojo. Desceu do carro, chamou um táxi. Ainda me ofereci para pagar. Abri a carteira, não tinha mais grana. Ela deu de costas. Foi embora sem olhar para trás. Eu lá, desolado, sentado no meio-fio. Olhos quase lacrimosos, uns 20 minutos depois volto pro Passat, tento a chave mais uma vez. E o motor sai roncando forte, mandando fumaça preta pelo escapamento de ponta cromada.

O Passat preto passou um bom tempo sem dar qualquer problema. E eu entendi tudo. Carro ciumento é foda. E a Kelly Cristina, nunca mais vi. Parece que trancou a matrícula na USP e foi morar em Londres. Só sei que fiquei um tempão trocando de carro com meu pai toda vez que ia sair pela primeira vez com alguma moça.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Estrelas e vagalumes

Semana passada, um amigo meu foi ao médico e acabou “submetido” ao famigerado exame de próstata. É importante, principalmente depois dos 40 e, por tratar-se de uma questão de foro, ou furo, íntimo (...eita trocadilho infame) nem vou revelar o nome do amigo tampouco dizer se eu já fiz ou não o procedimento. O lance, no entanto, é que quando ele me contou o caso e comentou como o doutor o surpreendeu com o, digamos, modus operandi do exame, feito sem avisar, sem um preparo psicológico prévio, lembrei de um deputado baiano, que saiu indignado contra o médico que lhe fez o mesmo exame.

Abaixo, alguns trechos da reportagem feita pela Folha sobre o episódio ocorrido, há alguns anos (30/03/2005) – comentário do Cachorro Cansado no meio do texto:

Deputado diz que "viu estrelas" no exame de próstata
Da Agência Folha, em Salvador

No dia em que Salvador completou 456 anos e que fortes chuvas provocaram a morte de duas pessoas, o deputado estadual Manoel Isidório de Santana (PT), 43, ocupou a tribuna da Assembléia Legislativa da Bahia para fazer um discurso contra o toque retal, utilizado pelos médicos no exame de próstata."Até agora estou vendo estrelas, graças à virulência do médico", contou o deputado.
Cachorro: “faltou amor”.
Sargento Isidório disse em seu discurso que não é machista. "Pensava que era de uma outra maneira. Mas, da maneira que o médico me tratou, a maneira que foi introduzido aquele dedo, foi horrível. Quase que desmaio, não aceito", saí de lá com o olho cheio de vagalume", disse o deputado.
Cachorro: “a maneira como foi introduzido AQUELE dedo? rsssss”
Mais à frente, Sargento Isidório disse que o exame feito em "pessoas menos esclarecidas" ainda é pior. "Se faz isso com um deputado, imagine com pessoas que não têm esclarecimento. Imagine com um sem-terra, com um desempregado."
Cachorro: “Não entendi. O que o deputado Isidório quis dizer com isso? Que se fossem pessoas menos esclarecidas o doutor ia enfiar outra coisa, ou mais dedos?”
Paralelo ao seu discurso, o deputado fez questão de mostrar com gestos e gritos como foi o seu exame. "O médico chegou e foi colocando o dedo. É angustiante para um pai de família, principalmente com a minha idade, passar por isso", disse.
Cachorro: “Sério que ele mostrou com ‘gestos e gritos’ também?”. “Como perdi isso?”
Em seguida, o deputado acrescentou que a medicina tem o dever de encontrar uma outra fórmula para o exame. "A ciência está aí querendo fazer até gente igual, criando tudo que é coisa. Tem de haver outros métodos".
Cachorro: “Taí algo que com que concordo com o deputado Isidório”.
O deputado Targino Machado (PMDB), que é médico, em aparte, lembrou que existe outra fórmula para o exame, o PSA (exame de sangue usado para diagnosticar câncer de próstata). "Todo homem civilizado, depois dos 40 anos, deveria fazer o exame. Mas, deputado, por melhor que seja, o PSA não é totalmente eficiente. Então, temos de fazer o toque retal mesmo", disse.
Cachorro: “Bom, se é assim, fazer o quê, não é mesmo?”
*Publicado em 13 de junho de 2009

sexta-feira, 1 de julho de 2011

As escolhas certas

Fiz jornalismo; acabaram com a exigência do diploma; 
Faço pós; Senado libera contratação de professores sem titulação. 
Vou fazer gastronomia; será que vão proibir as pessoas de comerem? 

Projeto do Senado libera contratação de professores universitários sem pós

www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110702/not_imp739743,0.php


quinta-feira, 2 de junho de 2011


"Quanto mais se envelhece,
mais se aprecia a indecência"
Virginia Woolf

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O detetive do amor

Dia dos Namorados perto demais no calendário. Alcides, desolado. Solteiro há tempos, recorre à agência de namoro indicada por um poste. Compromisso sério, a intenção do moço. Ficha cadastral preenchida, possibilidades no ar. Complexas combinações binárias feitas graças ao esforço da estagiária Geysa, verifica-se que seus dados eram compatíveis aos da formosa Dilva. Seria sua diva, a Dilva. Logo no primeiro encontro, o sexo era ao sabor da catuaba: “selvagem”.

Entrementes, pânico em Alcides, dias depois sua diva sumiu!!! Não atendia telefonemas, não respondia torpedos, nada. Seu endereço era incerto e não sabido, vez que o vigoroso embate da cobra de Alcides com a aranha da formosa Dilva ocorreu sob sedosos lençóis do motel e borracharia Dengoso.

Alcides contrata o Detetive “Descubro Tudo” Santos, recomendado pelo poste da rua Bom Pastor. Por módicos R$ 30 por dia, mais despesas, o investigador particular logo localizou Dilva. Alcides, então, tentou um diálogo franco com sua diva, que não quis nem saber de conversa. Decidido, Alcides renovou o contrato com o insidioso detetive Santos, que descobre tudo e um pouco mais. Queria mais informações da arredia Dilva. Depois de sherlockianas, subterrâneas e indiscretas buscas, a pista estava na ficha da moça: um “x” cravado no item sem compromisso”, erroneamente arquivado na pasta namoro pela estagiária Geysa.
Alcides, porém, era teimoso mesmo. Estava fall in love. Investiu R$ 150 paus numa “amarração” com Mãe Joana, indicação de um poste da avenida Morumbi. Sem demora e com forte poder na vidência, Mãe Joana sabia que seria parada dura prender a periquita da Dilva na gaiola de Alcides. Mesmo assim, a poderosa esotérica topou – e venceu - o desafio. Sete dias e sete luas depois, Dilva estava novamente na palma da mão de Cidinho. Semanas felizes de amor e volúpia entre o casal.

Assim foi até Dilva descobrir – por meio do próprio detetive Santos, que não garantia fidelidade ao cliente (conforme as letras pequenas do contrato) - o poderoso trabalho de Mãe Joana. Revelado o segredo, automaticamente rompe-se o fino fio da amarração, como sabe qualquer um que já foi um dia amarrado.

Disso também sabia o sagaz (pouco ético e, repito, insidioso) detetive Santos - agora ele próprio matriculado na agência de relacionamentos. Com a ficha devidamente arquivada na pasta “namoro”, aguarda esperançoso que a estagiária Geysa faça suas combinações binárias cruzarem logo seus dados com os da formosa Dilva. Ele que está "selvagemente" interessado em provar daquela catuaba.