domingo, 9 de agosto de 2009

Teatro pornô, o primo Tico e o peixe boi da Amazônia

Minha família, pelo lado materno, é do sul de Minas. Guaranésia, região de Guaxupé. É lá que mora até hoje primo Tico, quase mesma idade que eu. Muitos anos atrás, quando tínhamos nossos 18 ou 19 anos, o primo Tico veio nos visitar em Santo André (SP). Queria conhecer a Capital, ver a Paulista, andar de metrô, essas coisas. Fomos então passar o dia na capital, eu e o primo Tico. Trenzão de subúrbio, descer na Luz e fazer o roteiro todo. Na volta, passando pelo centro velho, na Boca do lixo, o primo Tico fica curioso para ver um teatro lá na rua Aurora. Em cartaz uma dessas peças pornôs, novidade para ele. Na verdade, para mim também, que de pornografia só conhecia impressos e películas. Quatro apresentações por dia. Além de talento interpretativo, exigia do elenco preparo físico. Resolvemos conferir.
Mal lembro da peça em si. Eram quatro atores, dois casais. Uma atriz tava vestida de freira. O cenário, minimalista. Sofazão e um bichão de pelúcia. O bichão, aparentemente, era só decoração mesmo. Agora, o sofá tinha muita serventia na peça. Exceto pela freira, o figurino dos outros atores eram relativamente iguais (sungas, calcinhas, chicote, máscara e botas).

A história da peça, acho que nem tinha. Era todo mundo numa suposta chácara, trepando uns com os outros. Inclusive a freira, loira com sua inusitada bota de salto alto de pele de oncinha. E incomum lingerie vermelha para quem seria uma esposa de Jesus. Não era lá muito boa atriz. A fala não tinha qualquer sincronia com o gestual. Numa hora lá, dizia que não queria transar de jeito nenhum com o ator. “Não, não, não..”, gritava, mas a mão já apertava com força o belelau do ator.

O primo Tico, aparentemente, curtiu. Artes cênicas eram novidade pra ele. Ficou impressionadíssimo com a disposição dos atores, batendo continência pro general durante a peça toda. “Como conseguem?”, comentou primo Tico. Confesso que um mistério para mim também. Afinal, vinte anos atrás Viagra era só sonho distante da galera da terceira idade. “Passam banha do Peixe Boi da Amazônia no pinto”, comentei, meio a sério., meio brincando.

No trem, de volta ao ABC, um sujeito surge entre os vagões vendendo latinhas da banha do peixe boi. Animadaço, o primo Tico, que nunca tinha ouvido falar do milagroso produto, compra logo três latinhas. “A casa da luz vermelha vai tremer”, riu. À boca pequena, línguas familiares maldosas comentavam que o Tico só conhecia mesmo o prazer proporcionado pelas cabritas do sítio e de refrescantes e sensuais melancias.

Primo Tico ficou mais uns dias em casa, e voltou para Guaranésia. Dias depois, liga lá prá casa tia Silvinha. Queria saber que diabos eram umas latinhas prateadas. Perguntei o motivo. Ela disse que o primo Tico tava que não podia nem sentar, de tanta coceira. Tinha passado aquilo no “erótico” dele. “Foi ao médico?”, perguntei. “Sim, o médico receitou duas semanas lavando a região com água e sal. Tá todo empipocada, ardendo tudo”, comentou tia Silvinha.
Fiquei com um certo peso na consciência. Contei o caso para minha mãe. Me criticou, passou-me o maior sabão e o diabo. O primo Tico nunca mais voltou para Santo André, e nem botou mais os pés num teatro. E eu, por segurança, abandonei o projeto de visitar Guaranésia nas próximas férias. Pena porque minha prima Carolina, irmã do Tico, era uma gracinha e, diziam, louca para conhecer o primo paulista. Tudo por causa de três latinhas da banha do peixe boi da Amazônia.

3 comentários:

  1. poutzzzzzzzzzzzzzz
    mas que ingenuidade a dele, não?
    devia gostar pouco do "belelau" dele, pra ir passando qualquer coisa assim, sem mais nem menos.. ô dó!

    beijos

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  2. 2 semanas lavando o "erótico" com água e sal?
    Coitado, este intervalo de tempo deve ter demorado uma eternidade p/ passar, rsrsrs.
    Bjos
    S.

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  3. tadinho do primo Tico.. o erótico do rapaz deve ter ficado esfolado!
    hauhauahuahauh adorei o termo belelau
    kisses

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