segunda-feira, 29 de junho de 2009

Rock and roll all nite

Temos atrás, conheci Claudia, morena tropicana, pele da cor do pecado, esguia e sensual. Combinamos jantar íntimo lá em casa. Só fiquei de mandar para ela um email com meu endereço. E às vésperas do encontro, assim o fiz. Escrevi uma melosa mensagem eletrônica, cliquei o “send” do Mackintosh.

Noite do evento. Tudo preparado. Vinho, velas, queijos, amendoim, pães, molho de ostras, catuaba...a coisa toda. Coleção de CDs ultra-romântica a postos: Julio Iglesias, o “Rei” (só da década de 70, claro) e a francesa je t'aime moi non plus, de Serge Gainsbourg e Jane Birkin, pra dar uma atmosfera de sofisticação. Para o toque de classe final, Barry Manilow e o piano de Richard Clayderman.

Chegada a hora, toca a campainha do matadouro São Geraldo. Abro a porta. Pernas bambas. Claudia errada. Quem estava lá, sorrindo, era outra. Também chamava Claudia – a Claudinha Headbanger -, colega de uma outra seção lá da repartição e metaleira. Sorridente, com seus cabelos castanhos claros enroladinhos. Fofucha como um anjinho rococó do black metal, nos seus 1m52. Logo saquei que mandei o email pra Claudia errada. “Foi uma surpresa, não tava esperando. Mas adoooooorei o convite”, disse ela.

Desconcertado, convidei-a a entrar no meu biombo. Sem jeito para desfazer o mal-entendido, ofereci um guaraná. “Abre aquele vinho ali”, disse ela. Curtiu a luz de velas, mas não aprovou a trilha sonora. Tirou um Black Sabath da bolsa. “Changes”, queria ouvir. Do jeito que a coisa ia, só restava jantarmos. E conversamos sobre tudo: Corinthians, Def Leppard, crise econômica mundial, Judas Priest, Obama, Iron Maiden, eleições no Irã, Saxon, relação entre Raj e Maya, Mettalica, programa de Roberto Justus, Sepultura, benefícios do Bolsa Família, Uriah Heep, contas secretas do Senado, Massacration e por aí foi.

Alimentados, sem mais repertório pra conversa, lasquei:
- “A noite foi ótima. Obrigado pela companhia. Você tá de carro, pega um táxi ou quer que te leve embora?”, perguntei.
- “Esquenta não, tá tarde, vou dormir aqui mesmo”, respondeu.
- “Não vai dar, amanhã vem a diarista cedo e fico com vergonha se ela te encontrar aqui”, disse.
- “E que horas ela chega?”, pergunta Claudinha.
- “Mais ou menos às 5h”, menti.
- “Bem cedo para um domingo, né?”, disse.
- “Era o único dia que tinha disponível”, argui, tentando parecer natural.
- “Tudo bem, então saio às 4h45”, replicou a garota headbanger.
- “É que às vezes ela chega mais cedo”, redargui.
- “Vou às 3h e fim de papo”, encerrou o papo, já sem paciência.

Nervoso, gaguejando, apelei: “Sabe que é, esqueci de comprar camisinha”. A fofa sorri, malícia pura no olhar e saca da bolsa dois pacotes da capinha pro janjão (seis unidades, textura fina e lubrificados). “E agora, meu Deus?”, apelei ao Todo-Poderoso. Fomos pro quarto. Antes, passei no banheiro. Tomei banho, escovei os dentes, li a lista telefônica, cortei as unhas dos pés, das mãos, fiz a barba, tirei uns fios do nariz e da orelha, também aparei parte dos pêlos do saco.

Cheguei na cama, Claudinha me aguardava com uma garrafa de espumante, sexy camiseta preta do Motorhead, que estrategicamente deixava o umbigo a mostra . Tomei um gole, dois, três...a botella toda. Abrimos outra. E depois outra. Papo vai, papo vem. Risadas, piadas, a conversa foi ficando agradável, de verdade. E a Claudinha cada vez mais legal, mais graciosa. Bacana mesmo. E daí, sem mais delongas, começa o show de heavy metal. A moça, de fato, era um tsunami inundando minha Praia Grande. Pulávamos mais que o Davi Lee Roth, do Van Halen, e o Angus Young, do AC/DC, juntos. Tava ótimo aquele Rock´n Rio particular no meu conjugado. E, para fechar o festival, a diaba disse que sabia, desde o começo, que aquele email não era para ela. Foi lá só pra me ensinar que não se julga disco pela capa.




Bom, lição aprendida, baby.

domingo, 28 de junho de 2009

Agora vai...

Como sabem, estou em processo de desencalhamento. Para tanto, matriculei-me num site de relacionamentos. Finalmente, as coisas parecem melhorar. E meu investimento de R$ 850,30/mês vai valer a pena. Desanimado por ter recebido apenas uma mensagem (da Bizuka54, do Acre), nesta semana as perspectivas foram bem melhores: três emails. Um da dona Geralda, de Santa Catarina: 73 anos, viúva, pensionista, três filhos e seis netinhos. Outro da Jennifer Aschton, de Piracicaba: 24 anos, estudante, solteira e travesti. Mas o que me animou mesmo foi o da Evil Angel (foto), de Luiziânia, Goiás: 32 anos, autônoma, solteira e liberal. Vou marcar um encontro. Só não estou entendendo porque ela insiste numa tal taxa “voluntária" de R$ 250 para vir à minha casa. Sei não, mas acho que vai dar namoro...

sábado, 27 de junho de 2009

El clandestino

Meados dos anos 90, passei uns tempos em Londres. Vi o lado negro da força no submundo do trabalho clandestino nas cozinhas de lá. Sem grana, quase voltando para o Brasil, arrumei um trampo de washing up (lavador de prato mesmo) numa cantina italiana em Bond Street, esquina com Oxford Street. Quem me arrumou o trabalho foi um amigo bem querido, o Robertinho, gerente de lanchonete em Camden. Hard times, Robertinho me quebrou vários galhos. Meus e da Helô, minha namorada na época e companheira fiel nas roubadas. Veterano daquelas plagas, Robertinho advertiu: “Restaurante italiano é barra, você dá conta?”. “Claro”, disse. “Lavo prato em casa desde os 10 anos”, desdenhei do alerta. Nunca tinha pisado numa cozinha de restaurante até então.

Café Uno, o nome do lugar. Primeiro dia do basquete, achando que receberia explicações sobre tarefas, coisa e tal. Dia light. Ledo enganaço! Botei o pé lá dentro, nem perguntaram meu nome, já foram dando o uniforme oficial dos lavadores clandestinos: calça xadrezinha (dois números maiores), boné e avental. E um monte de coisa para fazer. Sem orientação prévia - mal sabendo a diferença entre knife e fork - vi que meu trabalho ia além de lavar pratos e panelas. Prá começar, tinha que espremer duas toneladas de tomate para fazer molho. Tudo numa panela que eu cabia dentro. Demorou, começaram as dores nas costas, mas fiz a tarefa. Estava mais red que os tomates, mas ok.
Mal recuperado do esmaga tomate, chega a hora do almoço. Crowd total na cantina. Executivos, secretárias, turistas, o príncipe Charles e o diabo querendo comida. Chegando as pencas coisas para lavar. Prato daqui, panela daqui, talher, tigela, cumbuca, copo. Aquela cozinha quente, o pessoal nervoso xingando em várias línguas (ouvia – mas não entendia - o bósnio do cooker chef Sisi, o iugoslavo da garçonete, o americanês de outra, o castelhano do equatoriano, o italiano do barman e o polonês do pizzaiolo). Uma babel gastronômica. Mas, precisava da grana, então vamos lá. Humildade, lealdade e procedimento, diz a Gaviões.

Aquele primeiro dia, só atrapalhação. Numa hora lá, não sabia se lavava prato, puxava a calça caindo pelos joelhos ou limpava o chão gosmento-escorregadio. Vem o gerente Stevie. Eu tinha que guardar as mercadorias que acabaram de chegar. A hora não podia ser mais imprópria. Pacotes e pacotes de macarrão, latas de óleo e tomate. Já não dava conta da louçaiada/panelaiada e tinha aquele monte de tralha para pôr no armário. Nem sei como, cumpri a tarefa nuns cinco minutos. Tudo guardado, tudo no lugar errado. Uma hora meu coração gelou. Entrou um cara lá, olhando tudo. Tremi na base. “Só pode ser da imigração. Hoje sou deportado”, pensei. Mas o cara só checou a data de validade do extintor e se foi. Era um bombeiro. Saí de baixo da pia, aliviado.

O corpo doía todo, também os braços. Voltei pro rock´n roll. Minha calça teimava em ficar caindo – chegou uma hora que eu estava lavando uma frigideira de cueca com as calças no joelho -, meus pés sambavam naquele chão escorregadio e óculos embaçados pelo vapor da máquina de lavar. Era o inferno de Dante na terra de Shakespeare. Pensei em largar tudo ali mesmo. Mas sou brasileiro, não desisto nunca. No final da tarde, morto de cansado, almocei. Só queria pegar o “tube” e voltar pro quartinho em Highbury Park, onde morava..

Troco de roupa, orgulhoso do dia de trabalho honesto de clandestino-ilegal. Daí pedem para ficar pro shift da noite. O cara da noite não pôde ir. Quase às lágrimas, fiquei. Não tinha outro jeito. Primeiro dia, sabe como é...a mesma rotina escravo-laborial até umas 23h. Cheguei em casa, semi-morto. Entrei no chuveiro, sentei no chão, cochilei ali mesmo. Sonhei com pratos, panelas e o detergente querendo me matar. Mas para levantar meu moral, aquela mentalidade de pobre terceiro mundista colonizado: “To lavando prato, mas tô lavando em Londres”. E no dia seguinte seguia orgulhoso, clandestino, de novo para ser explorado. Eita bicho besta que sou.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael Jackson/Bart Simpson - Do the Bartman

"If you've got the groove, you gotta use it
Rock rhythm in time with the music
You just might start a chain reaction
If you can do the Bart, you're bad like Michael Jackson"


Michael Jackson/Homer Simpson

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Adorno estava certo!!!

Noutro dia, li que vão transformar em filme a obra literária “O doce veneno do escorpião”, da Bruna Surfistinha. Hoje sai que uma editora vai publicar a biografia de um tal “Touro Bandido” (acima), ex-protagonista de uma ex-novela. Nada contra alguém querer ganhar seus caraminguás. Mas tudo contra a falta de respeito com o meio ambiente por parte da perdulária e insensível indústria cultural. Pergunto: Quantas árvores deixarão de existir para que cada livro da estimulante vida do bovino apareça nas livrarias do país? Ah, vai ter também uma edição especial em capa dura para colecionadores (??!!).

Comentário do Cachorro 1: A única coisa que realmente me chamou a atenção no caso da Bruna Surfista - vi há tempos no Jô Soares -, foi que um esperto largou a mulher – gatíssima, registre-se (foto ao lado) - pra juntar seu quiver com o da Surfistinha (sem foto). Garoto espertíssimo esse...

Comentário do Cachorro 2: Já sobre o Touro Bandido (foto acima), parece que fez o curso do Actors Studio, de Nova Iorque. E, segundo a Veja, Caras e Contigo ganhou destaque na novela pela interpretação naturalista que imprimiu ao personagem.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

MEU PRIMEIRO "ciumento" CARRO

Tinha meus 19 para 20 anos. Meu pai havia trocado de carro e deixou para mim seu Passat preto, ano 82, série Sport especial, apenas 1,2 mil unidades produzidas. O sonho de consumo de qualquer jovenzinho entre a pós-adolescência e a pré-adultice. Para mim, a própria supermáquina: teto solar, rodas de liga leve, spoiler, conta-giros, bancos Recaro, toca-fitas Rodstar. Bandido mesmo. Fazia história na USP e jornalismo na Metodista. No curso de história antiga, conheci Kelly Cristina, moça moderna. Sempre de preto, cabelo vermelho e gatinha de tudo. Entre uma aula de helenismo e outra sobre o império romano, empatia mútua.

Combinamos de sair. Sábado à noite. Love is in the air, passei na casa de Kelly Cristina. Linda, pele branca, vestido preto e aqueles cabelos vermelhos; lembrei da bandeira do estado de São Paulo, mas tudo bem. E quis impressionar a moça - claro que até onde isso era possível para quem andava sempre durango e a pouco grana que tinha era para pôr gasosa no foguete.
Para descolar um troco extra pro nosso first date, até aluguei meu tênis All Star pro filho da empregada que queria levar uma mina no parquinho lá das quebradas onde morava. Sem drama. Para sair com a Kelly Cristina usaria meu Tiger vermelho (o qual, aliás, combinava com as madeixas encaracoladas da bonita).

Fomos a uma choperia alemã no Largo de Moema. Mesa na calçada. Muitos chopes, vários schnapps (não tinha lei seca naqueles dias). E era esquema meio rodízio, preço único, dava para fazer a festa: oito tipo de linguiças, onze variedades de salsichas, costeleta de porco salmonada, repolho roxo e chucrute. A moça, educada, comeu só uns negocinhos. Eu tirei a pança do refluxo. Vela na mesa e até dei uma rosa pre´la, daquelas que os ambulantes vendem de mesa em mesa. Tudo too much romantic. Tudo corria bem. Pure romance.

Hora de ir embora. Meu Passat, aquela verdadeira Lótus estacionada em frente ao estabelecimento. Reclinei o banco Recaro. No Rodstar, cassete Basf rolando “All of my love”, do Led Zepellin. Teto solar aberto. Uns amassos inocentes. Friozinho na barriga, a vida era, realmente, bela e o amor tinha cabelos vermelhos.

Pois bem, tarde da noite, sorriso maroto nos lábios, chave na ignição...e, nada. Nem sinal do motor funcionar. Sorriso maroto passou prá amarelo-limão. Do frio na barriga para estômago gelado. Não teve jeito. A solução era empurrar o danado.Kelly Cristina assume o volante. Não tinha ideia de como um Passat preto era pesado até ter que empurrar um. Toda minha força de Mighthor não dava conta. Cheio de vergonha, chamei uns guardadores para dar uma ajuda. Os filhos da puta nem se mexeram e ainda mandaram uns gracejos para Kelly Cristina: “segura firme aí no câmbio”; “engata e goza” e “deixa eu entrar na carruagem da princesa”. Eu pê da vida e sem qualquer moral para encarar os maloqueiros ali. Os olhos então começam a virar, tonteira, zoeira na cabeça: pronto, vomitei todo o banquete germânico de pouco antes. E bem no pé direito do Tiger vermelho.

Kelly Cristina fez cara de nojo. Desceu do carro, chamou um táxi. Ainda me ofereci para pagar. Abri a carteira, não tinha mais grana. Ela deu de costas. Foi embora sem olhar para trás. Eu lá, desolado, sentado no meio-fio. Olhos quase lacrimosos, uns 20 minutos depois volto pro Passat, tento a chave mais uma vez. E o motor sai roncando forte, mandando fumaça preta pelo escapamento de ponta cromada.

O Passat preto passou um bom tempo sem dar qualquer problema. E eu entendi tudo. Carro ciumento é foda. E a Kelly Cristina, nunca mais vi. Parece que trancou a matrícula na USP e foi morar em Londres. Só sei que fiquei um tempão trocando de carro com meu pai toda vez que ia sair pela primeira vez com alguma moça.

Amor com amor se paga!

Registro aqui as palavras elogiosas ao velho Cachorro Cansado proferidas pelo camarada Léo, o Bambam. Muito obrigado velhinho. O Bambam também tem um blogue (junto com a Nádia, um talento das artes gráficas) dos muito legais, O Corvo. Jornalista de formação, letrista por vocação, é um dos melhores textos que já li, conhece muito de rock´n roll, literatura e cinema. E, qualidade suprema, membro distinto da nação alvinegra. Thank you, velhão. Sobre o Luciano, bom, esse aí é mau elemento mesmo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Nunca pego ninguém em balada!

Eu nunca pego ninguém em baladas. Falta de jeito de quem está fora do mercado há uns tempos. E um pouco de timidez também. Mas tem um lugar que me acho. Eu e meu amigo Walter, o Cabeça-de-Ovo. O point é o Charles Edwards, um pub na Vila Olímpia. Não gosto da Vila Olímpia, mas sempre que estava meio chateado e morava em São Paulo, baixávamos no lugar. É aumento na hora da baixa-estima. O Charles não é um lugar qualquer. Primeiro, o povo lá é mais na minha faixa etária. E, justiça seja feita, a banda que tocava era boa.

E os objetivos do público do lugar são claros. Ninguém está lá para dançar, beber ou petiscar um provolone à milanesa. Tem tudo isso, mas o negócio lá é mesmo matar ou morrer. Eu sempre morria...de rir. Eu e o Cabeça, dois perdidos numa noite suja. Modéstia à parte, nos destacávamos no ambiente. Também, não era para menos. Não sei direito o motivo, mas o Charles Edwards parece ser o point preferido da galera bancária, da moçada das ciências contábeis. Daí as moças, e principalmente as não tão moças, ficavam doidas demais quando viam um bacana meio grisalho, rabo-de-cavalo, brinco de ouro na orelha e tatoo da Gaviões no antebraço - eu, no caso - e um careca de boné da Pavilhão 9, dois metros de músculos empilhados na vertical e puro glamour latino - o Cabeça-de-Ovo.

Predadoras, éramos a caça. Verdadeiros elefantes brancos, alvos da winchester 22 delas naquela savana africana. O Cabeça batizou as caçadoras mais veteranas de Bia Falcão. Eu, para as mais veteranas ainda, de Odete Roitman. Pois bem, ficávamos lá, bebendo nossos drurys e só levando tiro. Ou “flechadas do teu olhar”. Nossos peitos pareciam até álvaros de tiro ao Álvaro. Não tinham mais onde furar.

Certa vez, uma delas, com olhar de carabina, chegou perto. Martini bianco na mão, puxou papo com o Cabeça. Nada...E veio pro meu lado. Negativei, simpaticamente. Quando fui ao banheiro, deu para ouvi-la numa rodinha com outras Bias: “São gays”. A gente nunca se importou com esses comentários. Para nós, o importante sempre foi sermos os Sidneis Magals daquelas Sandras Rosas Madalenas. E saíamos de lá felizes, sozinhos, mas crentes que pelo menos numas poucas quintas-feiras do ano a gente era bonito para caralho.

domingo, 21 de junho de 2009

Meu pensamento retardado

Confesso que sou meio devagar para raciocínios abstratos. Dia desses, um bêbado chegou na mesa do bar e perguntou: “Por que a água foi presa?”. Levei uns 20 minutos para entender que foi porque “matou a sede”. No último carnaval sofri com essa minha lerdeza mental. Fujo de micaretas e coisas do tipo. Mas aqui perto de casa, tem um bloco bem familiar. Chama-se Sovaco da Asa, se a memória do lerdo aqui não falha.

Estava eu lá, tomando minha cerveja e olhando a mulherada. Tinha muita mulher bonita. Camisa do Corinthians, jogando meu charme latino, paquerava e era paquerado. A noite carnavalesca prometia para aquele pierrô apaixonado. Particularmente, jogava o olhar 43 na direção de uma mocinha muito linda. Morena, cabelos lisos e longos e olhos puxados. Uma Pocahontas, linda mesmo. E pelos olhares, percebi que havia um feedback positivo. “É hoje que o jacaré sai do lago”, refleti.

Já ia partir pro ataque e me aproximar da moça, encosta um sujeito antes. E começa:“Corinthiano é?”.
- “Opa, sim, Fanático, desde criancinha”, disse. “Você também é da nação alvinegra”?.
- “Não tenho time, mas sou simpático ao São Paulo”, comentou o sujeito. Achei de mau gosto simpatizar com o pó-de-arroz do Morumbi e esquisito alguém não ter um time prá valer, mas tudo bem. Cada um com suas querências.
- “Então, legal que voltamos para Primeirona e agora vamos arrebentar com o Fenômeno no time”, falei.
- “Desculpe, não entendi. Vamos mudar de assunto?”, respondeu o simpatizando do tricolor.
- “Mulherada bonita, né?” explanei ao meu interlocutor.
- “Mais ou menos”, retrucou o admirador do time do Rogério Ceni.
- “Como assim? Olha lá, aquela loirona lá. Eu to pagando pau pra aquela indiazinha japonesa. Gatinha”, e apontei para meu alvo.
- “Não acho”, disse o proto-são paulino.
- “Tá maluco, é? Teu padrão é alto, hein velhinho”, falei, sem maldade no coração.
- “Fala mais de você”, disse o sujeito.
E eu, tonto: “Por quê?”.
- “Você parece interessante”, sorriu a fera radical.
“Interessante o quê, jacaré?”, e já fui ficando meio injuriado com o estranho rumo da conversa. E, finalmente, cai a ficha do orelhão depredado aqui. “Puta que o pariu, esse viado é gay, seu mané”, pensei-me consigo mesmo.

Disse pro wallygator que ia comer um cachorro-quente, e educadamente, saí fora. Tudo bem, essas coisas acontecem. Não sou homofóbico. Respeito a diversidade e acho sinal de avanço as pessoas poderem ficar juntas, independentemente do sexo. Tenho alguns amigos gays. Todos queridos, divertidos e inteligentes. Sempre têm um gosto mais refinado do que a maioria dos héteros. Um tosco tem muito a aprender com gays. Tinha até programa de TV sobre isso. Aprendi a não coçar mais o saco em público e nem usar pochete, capanga ou celular na cintura.

O problema todo e o que me chateou mais é que nesta altura a Pocahontas tinha sumido e todas as moças do lugar olhavam para o bonito aqui como se eu fosse uma mistura de George Michael com Rock Hudson. Desanimado e puto da vida com minha lerdeza intelectual, o rapaz simpatizante do São Paulo ainda passa por mim e lasca: “Tchau tentação!!!!”.

“Puta que o pariu, não peguei ninguém e ainda tenho que agüentar esse são-paulino queimador de rosca queimando o meu filme”, meditei, tomado pelo raciocínio tosco e grosseiro que me vem nessas horas. No caminho de casa, parei na farmácia e pedi: “Por gentileza, me vê qualquer porcaria que o senhor tenha aí contra retardamento mental”.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O metrossexual tosco

Nunca subestime a capacidade de um solteiro na crise dos 40 (42, para ser mais exato) para fazer bobagens. O espectro da andropausa rondando e os anúncios do Boston Medical Group levam o sujeito a tomar medidas desesperadas em busca da mocidade perdida. Ontem tomei uma dessas.

Tempo de dar um tapa no telhado. Hora do almoço, fui ao salão num shopping aqui de Brasília, como sempre faço. Vou por volta do meio-dia na esperança de não ter muitas freguesas no local, já que quando chego todas emudecem. É constrangedor e nem imagino os assuntos que interrompo. Mas fazer o quê, não é? Dona Irene corta bem meu cabelo – e rápido. O lugar é de acesso fácil e dá para almoçar por ali mesmo. Então, é lá que vou. Lealdade, humildade e procedimento, como dizem lá na Gaviões.

Convivo com fios grisalhos desde os 20 e poucos anos. Nunca achei isso ruim. “Melhor do que careca”, penso. Mas, ultimamente, a combinação equilibrada entre grisalhos e castanhos começou a pender mais para os primeiros. Daí que o garanhão italiano aqui viu um anúncio de um xampu para “diminuir” os grisalhos. Um tal de pigmentador alguma coisa. Parecia bacana. Com a vantagem de não ter aquela lambuzeira de pintar cabelo, usar touca azul-celeste e ficar com o cabelo parecendo capacete do ultraman. Comentei isso com a dona Irene. Ela ficou animadíssima, foi me mostrando o produto e disse que fez até curso de aplicação do cosmético capilar. Nem caro saía. Convenceu o cachorro grisalho.


Então, ela lavou meu cabelo com o “pigmentador”. As poucas mulheres observando a cena e eu, como se fosse possível, fingia que não era eu ali. Cabelo lavado com o “pigmentador”, olhei-me para si próprio e pasmeime-se de pânico. Daí sim tive total certeza que não era eu ali naquela cadeira. Parecia o Cauby Peixoto com alisabel. Frio no estômago, vermelhidão nas bochechas, suor na testa, formigamento no pé esquerdo e crise de soluço. Cadê os fios brancos que me davam aquela expressão de maturidade e charme idoso? Como aquela composição de Richard Gere com George Clooney se transformou na peruca do Ivon Curi? A Irene feliz pelo trabalho bem feito (no julgamento dela, diga-se). Uma freguesa, aliás moça bem das interessantes, disse: “Sei o que você está pensando, mas posso dizer uma coisa? Ficou outra pessoa”...Bom, era só tudo o que eu não queria ouvir naquela hora.

Olhava no espelho, mirava pro meu black power novo e pensava: “Puta que o pariu, como volto pro trabalho com esse cabelo?”. Meio tonto, cambaleando, andava sem rumo pelos corredores do shopping center e parecia que todos reparavam meu cabelo, o ex-grisalho pintado. Nem lembrava onde tinha estacionado o carro. Pedi ajuda praqueles vigias motoboys de estacionamento de shopping. Do seu walk-talkie, liga para um colega: “Alô câmbio, viado de cabelo pintado não lembra onde parou Ecosport vermelho, ajude achar, copiou?”. Acho que ele nem disse isso, mas juro que foi o que eu ouvi. E a questão que não saía da cabeça: “Como vou aparecer na repartição deste jeito?”. Pensei em raspar careca. “Peguei piolho”, diria. Ainda no carro, resolvi ir para casa ao invés de voltar direto pro trabalho. Fui tomar outro banho - aliás, três pela quantidade de xampu que usei - na esperança de diminuir o efeito do hairdressing. Acabei com o xampu e dois vidros de crime rinse. Nada...tudo igual. Uma última tentativa: a boina de veludo bege (comprada no mercado de Bricklane, em Londres, mas feita na China mesmo). Solução provisória, a única viável no momento. Confesso que fiquei meio aliviado. Como o tal produto saí aos poucos do cabelo, depois das lavadas diárias, era só usar a boina por uns dois meses e estaria tudo certo. Ninguém nem ia perceber. E assim foi. Ou melhor, pensei que seria. Mas o importante é registrar que, em hipótese alguma, “pintei” o cabelo. Apenas lavei com o “novo e revolucionário xampu pigmentador que inibe os grisalhos”, anunciado até pelo Milton Neves, no Terceiro Tempo – legítimo programa de cachorro tosco. E que isso fique bem claro, porque tosco que é tosco não faz essas baitolagens de pintar cabelo.

O metrossexual tosco II – “caiu balão aqui foi?”

À tarde, caminho de volta ao trabalho, de cabelo brilhando de novo, achei melhor raspar o cavanhaque, que no meu caso é bicolor. Ou seja, metade de cima castanho, parte de baixo grisalho. Aproveitei para um outro banho e lavar novamente a cabeça. Desta vez, apelei pro sabão de coco para despigmentar o pigmentador. Não funcionou também. Cheguei no trabalho, elegante, com minha boina bege. Estava um baita calor, a boina não combinava em nada com o resto do meu traje, mas beleza na flauta.

Todos só reparavam na boina. Nada dos cabelos. O estratagema funcionando a contento. Um colega, usuário de chapéu Panamá, interveio. “Só se deve usar chapéus e boinas em ambientes externos”, ensinou o personal stylist de Taquatinga. “Catzo, fica quieto porra”, pensei consigo mesmo. E a tarde passando, eu trabalhando...até esqueci do meu novo e questionador visual.

Do jeito que ia, a transformação de pico da neblina para morro do urubu passaria despercebida. Porém,...final do horário comercial, eu mesmo - suprema idiotice - chamo uma colega para ver uma foto qualquer no meu computador. A moça chegou, me observou de perto, olhou e viu. E em alto e bom som: “O Edu ‘pintou’ o cabelo”!!!!! Mesmos sintomas que tive no salão de beleza voltaram. Menos de 10 segundos, uma aglomeração ao meu redor pedindo para ver meu cocuruto. O pessoal da manutenção, o staff da copa, umas 20 pessoas. Até os caras do suporte técnico, que nunca vêm na hora quando chamamos, ao redor da minha baía de trabalho. “O que foi porra, caiu balão aqui, foi?”, questionei, educadamente.

De tanto insistirem, tirei a boina. “Ficou bom”, disse um. “É outro cara”, comentou outro. “Puta viadagem”, ouvi de alguém.“Isso faz cair o cabelo”, alertou outro. “Dá coceira?”, veio mais um. Naquele momento, só não queria estar mais ali, ir refletir sobre a crise econômica mundial em qualquer outro canto do planeta. Esquecer que tinha cabelo. Mas eu estava lá, explicando para todo mundo que não tinha “pintado” cabelo. Só lavei – aliás, eu não, a dona Irene lavou – com o xampu pigmentador number five qualquer coisa. Bom, resumo da ópera, até agora olho de cinco em cinco minutos no espelho. Ainda acho que eu não sou mais eu.
Mas, sabem de uma coisa, acho que remocei pelo menos duas semanas e um
colega da repartição, o seu Alvarenga (o bacana aí do lado), até meu pediu o endereço da dona Irene.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Pesadelo na Praia do Sonho

Faz um bom tempo isso. Uma vez conheci uma mocinha pela internet. A Paulinha, de Itanhaém (SP). Era começo de verão, férias da faculdade e do trabalho. Fui visitar Paulinha na cidade do litoral Sul de São Paulo. Fui com meu amigo Batata. Nos hospedamos numa pousadinha meia-boca na Praia do Sonho. Sem crise, era limpinha e dava para eu ficar com a Paulinha, que apresentou a irmã (Luciana) ao Batata. Empatia mútua, revezávamos o quarto da pousada; primeiro eu e Paulinha; depois o Batata e a Luciana.

O que a gente não sabia era que a Luciana tinha um namorado. Na verdade, um amante. E só contou isso para a gente quando estávamos todos num barzinho, tomando umas. Para completar, avisou que o affair chegaria em poucos minutos, que o sujeito era bravo e investigador “classe c” da polícia civil (não sei o que significava ser um investigar classe c, mas imaginei que boa coisa não podia ser). Portanto, não era para falar nada sobre o lance dela com o Batata. O meu com a irmã tudo bem; a Paulinha era desimpedida.

Eu pressentia confusão. Achei melhor eu e o Batata irmos logo embora. Não deu tempo. Nem levantamos da mesa, chegou o tal amante policial da Luciana. E o cabra era forte mesmo, tipo elemento do GARRA. Só o braço do sujeito devia ser da largura da minha coxa. E o sujeito homem foi logo gritando pro Batata: “Então, vagabundo, é com você que minha mina tá me traindo?”.

O Batata gelou. Eu confesso, fiz xixi na calça de tanto pavor que senti. “Tamo morto hoje”, pensei. Minha perna esquerda tremia, e a direita ficou paralisada. O sujeito olhava sério pro Batata. Eu comecei a suar. Os olhos do Batata começaram a lacrimejar. Dava para perceber pelo menos dois revólveres debaixo da camisa do cara. De repente, sem mais nem menos, o polícia começou a rir, disse que tava brincando, cumprimentou os novos “amigos” das “amigas” dele e pediu mais uma cerveja. Ato contínuo, relaxei
tanto, mas tanto, que me mijei todo de novo, tamanho meu alívio. O Batata abriu um sorriso e abraçou o cara. As meninas trocaram olhares, riram também. Eu não manifestei qualquer expressão, só disse, meio sem jeito: “Prazer, moço”.

Ficamos no boteco um bom tempo, tudo ficou bem, tudo estava bom. Quando a bebida subiu para cuca, até se animaram a dançar um sambinha: Luciana e o amante, Paulinha com o Batata. Eu lá, sentado o tempo todo num cantinho da mesa. E aquela mancha de xixi na calça que não secava nunca...

domingo, 14 de junho de 2009

Esse é o "cara"!!!!

Esse é o "cara": Rick Gervais. Para quem assistiu The Office, na versão original inglesa, sabe o que estou falando. Gervais,na pele do impagável chefe David Brent, pegou a grana da indenização por sua demissão e investiu tudo num clipe. O resultado foi essa linda fábula romântica pós-moderna.

sábado, 13 de junho de 2009

Estrelas e vagalumes

Semana passada, um amigo meu foi ao médico e acabou “submetido” ao famigerado exame de próstata. É importante, principalmente depois dos 40 e, por tratar-se de uma questão de foro (ou furo) íntimo (...eita trocadilho infame outra vez) nem vou revelar o nome do amigo tampouco dizer se eu já fiz ou não o procedimento. O lance, no entanto, é que quando ele me contou o caso e comentou como o doutor o surpreendeu com o, digamos, modus operandi do exame, feito sem avisar, sem um preparo psicológico prévio, lembrei de um deputado baiano, que saiu indignidado contra o médico que lhe fez o mesmo exame.
Abaixo, alguns trechos da reportagem feita pela Folha sobre o episódio ocorrido, há alguns anos (30/03/2005) – comentário do cachorro cansado no meio do texto:

Deputado diz que "viu estrelas" no exame de próstata
Da Agência Folha, em Salvador

No dia em que Salvador completou 456 anos e que fortes chuvas provocaram a morte de duas pessoas, o deputado estadual Manoel Isidório de Santana (PT), 43, ocupou a tribuna da Assembléia Legislativa da Bahia para fazer um discurso contra o toque retal, utilizado pelos médicos no exame de próstata."Até agora estou vendo estrelas, graças à virulência do médico", contou o deputado.
Cachorro: “faltou amor”.
Sargento Isidório disse em seu discurso que não é machista. "Pensava que era de uma outra maneira. Mas, da maneira que o médico me tratou, a maneira que foi introduzido aquele dedo, foi horrível. Quase que desmaio, não aceito", saí de lá com o olho cheio de vagalume", disse o deputado.
Cachorro: “e se tivesse usado um KY?”
Mais à frente, Sargento Isidório disse que o exame feito em "pessoas menos esclarecidas" ainda é pior. "Se faz isso com um deputado, imagine com pessoas que não têm esclarecimento. Imagine com um sem-terra, com um desempregado."
Cachorro: “Não entendi. O que o deputado Isidório quis dizer com isso? Que se fossem pessoas menos esclarecidas o doutor ia enfiar outra coisa, ou mais dedos?”
Paralelo ao seu discurso, o deputado fez questão de mostrar com gestos e gritos como foi o seu exame. "O médico chegou e foi colocando o dedo. É angustiante para um pai de família, principalmente com a minha idade, passar por isso", disse.
Cachorro: “Sério que ele mostrou com ‘gestos e gritos’ também?”. “Como perdi isso?”
Em seguida, o deputado acrescentou que a medicina tem o dever de encontrar uma outra fórmula para o exame. "A ciência está aí querendo fazer até gente igual, criando tudo que é coisa. Tem de haver outros métodos".
Cachorro: “Taí algo que com que concordo com o deputado Isidório”.
O deputado Targino Machado (PMDB), que é médico, em aparte, lembrou que existe outra fórmula para o exame, o PSA (exame de sangue usado para diagnosticar câncer de próstata). "Todo homem civilizado, depois dos 40 anos, deveria fazer o exame. Mas, deputado, por melhor que seja, o PSA não é totalmente eficiente. Então, temos de fazer o toque retal mesmo", disse.
Cachorro: “Bom, se é assim, fazer o quê, não é mesmo?”

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Tudo tem seu lado bom!!!!!!

Dizem por aí que a única coisa, mesmo, que não tem um lado bom é LP do Fagner. Eu diria que de uns outros também, mas como a lista não é tão pequena assim, citemos aqui apenas o autor de "borbulhas de amor", que queria ser um peixe etc etc etc. Então, até mesmo a solteirice tem lá seu lado positivo. Assim, parafraseando Cecília Meireles, eu digo:
"Solteiro: teu nome é liberdade"
ps: então, como dizem na França, nesta sexta-feira "vamos cair de bunda no samba"

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Trilha sonora do cachorro solteiro

Gosto muito de rock latino e nesta sexta-feira, minha trilha sonora será feita pelos argentinos do Los Fabulosos Cadillacs.
Seguem os títulos de algumas
canções que vão fazer companhia a mim e ao cachorro cansado.

“Sarou sozinho”

Quando estava na faculdade, me apaixonei por uma mocinha. Tímido, não sabia direito como fazer para me aproximar da guria. Até que descobri que o pai dela era dentista. Por coincidência, estava precisando mesmo cuidar dos dentes. Um estava quebrado na pontinha e uma restauração tinha caído. Daí que cheguei na moça, que me deu o cartão do pai dentista. Pois bem, lá vai o mané fazer um orçamento. Só não sabia que o doutor era o profissional preferido dos ricos, famosos e celebridades da cidade. Tudo bem que na minha cidade, as maiores celebridades eram o Lombardi, do Silvio Santos, e o Nazildo dos Teclados. Bem, o doutor fez seu trabalho de praxe e apresentou o orçamento. Quase caí de costas. Se mostrasse o valor pro meu pai, o mínimo que ia acontecer era levar uma surra. Joguei fora o papel e fui fazer outro orçamento na Dra. Cláudia, dentista lá do bairro que sempre tratou da minha boca - “nove milhões de bactérias; na minha boca não!!! (acho que uns dois milhões ainda dá para agüentar”). Quando reencontrei depois a mocinha na faculdade, ela perguntou se ia fazer o tratamento com o pai dela, e meio sem jeito, disse: “Sabe que não precisa mais, sarou sozinho!!!"
E resolvi me apaixonar pela filha do dono da padaria.

Da arte de trepar no mato

Em geral, sou tradicionalista. Em questões sexuais, extremamente conservador. Não sou do tipo que gosta de transar em elevadores, parque de diversões, açougues ou aeroportos. Mas, quando a gente está começando uma história, geralmente faz qualquer bobagem para agradar a moça. Neste caso, ela tinha uma fantasia de transar no mato. Prá não contrariar e como gostava, de verdade, da mocinha, topei a experiência, inédita – e que seria a última para mim. O primeiro passo foi procurar o lugar. Para garantir a privacidade, escolhemos um matagal distante uns cinco quilômetros da civilização. Fomos lá numa sexta-feira de lua cheia. Empolgados, fizemos todo o trecho da estradinha de terra, chegamos num lugar bem quieto e encostei o possante. Entramos na mata.

Eu, encabulado, comecei a tirar a roupa. Ela, excitadíssima pelo cheiro do verde, já nua, me esperava encostada numa árvore parecida com um jatobá. Meio tímido e desacostumado ao vento frio batendo pela retaguarda, nem preciso dizer que o “wilson” não estava reagindo a contento. Mesmo assim, depois de algum tempo, consegui ajeitar o jontex size “G”. Como estava com a bandeira a meio-pau (desculpem o trocadilho infame), meu “jerry lewis” ficou parecendo o nariz de um tamanduá-bandeira. Mas tudo bem, deu certo e estávamos protegidos, como bem orienta o Ministério da Saúde e o Papa condena.

Então tá, os dois ali, eu e minha gata pelados na selva. Eu, Tarzan, ela Jane. Me aproximei da amada já para a posição nº 48 do kama sutra (mais conhecida por aqui como cata-cavaco). De repente, senti meu pé esquerdo queimando horrores, uma dor insuportável. É que eu tava pisando com gosto num formigueiro. Daqueles de formiguinhas bem pequenininhas, mas cuja picada (formiga pica ou morde???) dói para caralho. Pois é...Dei uns pulos, tirei a formigaiada do pé, que ardia para burro. Mas, já que estávamos ali, vamos terminar o serviço.

Quando ia novamente para cima da minha namorada ecologicamente tarada, vi dois olhões fixos de uma coruja buraqueira nos observando em meio à escuridão da noite. Aí o meu “mcgiver”, que tava só na meia-bomba, brochou de vez. A escuridão, que já era “escura” para caramba, pretejou ainda mais. A romântica lua deu lugar para pesadas nuvens e, ato contínuo, despencou um toró daqueles. Com um frio de lascar, brochado e com o pé ardendo, pedi desculpas para a mocinha (mentalmente estava a amaldiçoá-la pela ideia infeliz),vesti as roupas (molhadas) e clamei para irmos embora. Daí que a porra do carro ainda atolou na estradinha de terra. A moça assumiu o volante e fui lá, numa chuva dos diabos, tentar desatolar o carro. Obviamente, toda a força do Tarzan não deu conta da missão. Pelo celular, tivemos que chamar o auto-socorro da companhia de seguros. Os caras do guincho demoraram umas quatro horas para achar aquela quebrada onde tínhamos nos enfiado. Nem perguntaram o que fomos fazer ali no meio do mato de noite. Sei que só chegamos em casa às 9h30 da manhã, eu morto de cansaço, molhado até os ossos e com o pé doendo e inchado como uma bola de boliche. Agora, quando alguém me convida para algo parecido, o máximo que topo é colocar um vasinho de antúrios em cima do criado-mudo da minha cama.

Dia dos Namorados: a data maldita do calendário

Trata-se de uma opinião muito pessoal, mas acho o dia dos namorados ruim para quem está solteiro (a), mas pode ser ainda pior para quem tem namorada (o). Excluindo uma possível depressão por não ter ninguém no dia de ter alguém, dependendo da situação, às vezes é até melhor estar só. Uma das dificuldades do dia dos namorados é comprar um presente que agrade a moça. Algumas são tranqüilas e mentem, falando que qualquer coisa está boa desde que dada “de coração”. Hoje cedo no telejornal matutino, reportagem sobre presentes para a aguardada data tinha de tudo para o casal de candidatos a nubentes: noite em motel de luxo por até R$ 3 mil (com fila de espera de 60 minutos!!!), jantar romântico em restaurante com capacidade para 700 pessoas (!!!!) e creme de massagem de chocolate para posterior lambeção. Pior é que, às vezes, ao dar um presente, escolhido com todo gosto, as reações podem ser completamente inversas ao que o sujeito esperava, tipo: o cara dá um livro, CD ou DVD bem romântico, achando o máximo da delicadeza e a moça: “Pão-duro, nem para gastar um pouquinho mais comigo”. Ou então, ele resolveu investir pesado, raspou a poupança, e dá, cheio de si, uma TV LCD de 42 polegadas. E daí a insatisfeita: “Egoísta, comprou é pensando nele mesmo para ver futebol aqui em casa”.

Ps: Por essas e outras, vou tomar uma cerveja amanhã com um outro amigo solteiro, num boteco bem pé-sujo (que nenhum namorado decente levaria sua mina) para falar, descompromissadamente, sobre moças solteiras, política e as chances do Corinthians na Copa do Brasil.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Simplesmente feliz


Gosto de filmes simples, mas que nos fazem pensar sobre nossa vida. Não daqueles que precisamos pegar um dicionário depois ou estudar o movimento neo-realista concreto, do qual o diretor faz parte. Esse "Simplesmente Feliz" é um deles. Tem um enredo sem complicações, fácil de compreender e ainda surpreende a gente. Além disso, a mocinha mora em Finsbury Park, norte de Londres, onde passei um tempo bem legal da minha vida e me trouxe boas recordações de lá. É um filme que, ao contrário do que possa parecer, não é nada piegas. E a gente sai da sala refletindo como podemos mudar alguns pequenos comportamentos que temos na nossa vida. E a moça do filme é uma gracinha!!!!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Horóscopo maldito

Tem uns emails que circulam por aí que vira-e-mexe caem na nossa caixa postal. Tem o da lata de cerveja assassina, do sujeito que acorda sem os rins na banheira cheia de gelo e tem o do "horóscopo maldito", que veio bater na minha caixa postal ontem. Pior é que no meu caso, que sou um taurino de 6 de maio, parido às 6h05, o que pelos designíos astrológicos faz com que meu ascendente também seja de touro, o horóscopo maldito está certinho – e para mim é tudo isso em dobro!!!!!

Touro (21 de abril a 20 de maio)
Você é materialista e trabalha como um condenado. As pessoas pensamque você é um pão-duro, cabeça-dura, mão-de-vaca, estão certas. Alémdisso, você é um teimoso desgraçado que faz só burrada na vida econtinua fazendo, fazendo, fazendo...Você deve estar se perguntando...Por que eu trabalho tanto e só me ferro? A resposta é simples: suacabeça-dura não deixa você enxergar um palmo além do seu nariz. Porisso que você trabalha como um condenado e nunca consegue subir navida. Só leva fumo! E graças a sua teimosia idiota, continua levando,levando, levando...

Brilho eterno de uma mente sem lembranças

Um filme muito bonito, com o Jim Carrey mostrando que pode mais do que aquelas bobagens que costuma fazer. A película é um drama romântico sobre um sujeito que deseja “apagar” da mente a história de amor que teve com uma moça, a Kate Winslet, que está lindeusa no filme. Quando vi o filme, pensei como seria bom “deletar” certas lembranças da juventude. Nenhuma história de amor, no entanto. Todas acabam sendo válidas de um jeito ou outro. Queria mesmo era apagar alguns feitos da mocidade que, quando me lembro, dá vontade de me trancar no armário e não sair mais. Coisas do tipo: nos falecidos Rose Bom Bom ou Madame Satã, dançar "How soon is now", do Smiths, com minha própria sombra na parede (vestido todo de preto, com cara de tédio total). Oh vergonha! Pior mesmo, só quando a new wave estava na moda e meu figurino oficial de baladas era uma calça OP (Ocean Pacific) branca, moleton Nativas amarelo com as mangas laranja e tênis Rainha Iate, sem cardaços, com uma paisagem de gaivota, solzinho e uma ilhazinha pintada à mão. Lembra das canetinhas Silvapen?? Pois é, eu parecia o estojo.

Jesus, o ateu


No Maranhão, tem um guaraná chamado Guaraná Jesus, criado pelo farmacêutico Jesus Norberto Gomes, dono da então Pharmacia Sanitária, em São Luís. Na semana passada, descobri, por meio da minha amiga e bisneta do seu Jesus, a Mariana, que o talentoso e criativo boticário era ateu. E, ainda por cima, comunista. A marca da gasosa deve-se ao fato de o seu Jesus sempre batizar suas criações com seu próprio nome, ou pequenas variações. Assim foi com o antigripal Jesus, o xarope peitoral Jesus e a pasta dentifrícia Jesulina. O guaraná Jesus foi vendido há muito tempo para a representante da Coca-cola local, mas ainda faz bastante sucesso no estado. Quando morreu, na década de 60, o seu Jesus deixou, conforme sua carta-testamento, uns trocos pro Partidão. Não tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente, sequer tomei ainda um gole do seu guaraná, mas gostei do seu Jesus.

domingo, 7 de junho de 2009

A saga a Mossoró


Gosto muito de viajar. Para o estrangeiro, e também para conhecer os rincões do nosso País. É uma oportunidade de conhecer novos lugares, outras pessoas e culturas. Viagens são, para mim, processos educativos. Aprendo muito, sempre. Quando mais moço, fui com meu amigo Luciano visitar Mossoró (RN). A gente era meio “durango”, e fomos de ônibus mesmo. Três dias e quatro noites no Expresso São Geraldo, que sai da Rodoviária do Tietê. Nem preciso dizer que no segundo dia o ônibus vira uma mistura de Caravana Rolidei com Priscila, Rainha do Deserto.
Mas viajar é sempre bom. Acho que são uns 3,8 mil kms, passando por vários estados. Os piores são Minas e Bahia. Anda, anda, anda..e ainda estamos em Minas. Depois anda, anda, anda..e ainda estamos na Bahia. Pior mesmo é dormir no ônibus e as paradas na estrada. O motorista acha que em 15 minutos dá para tomar banho, escovar os dentes, fazer xixi e mandar um fax para casa, além de comer alguma coisa gostosa que sempre tem nestes lugares. E é sempre uma oportunidade de novos aprendizados, como disse. Daí que num cafundó de Minas, eu e Luciano fomos ao balcão do posto/lanchonete. “Dois cafés, por favor”, pediu o Luciano. A atendente, com ar superior, olho para a gente e corrigiu: “Dois cafezes...”. Mudamos para coca-cola.
No outro dia, noutra parada, desta vez no interiorzão da Bahia. “Duas águas, por gentileza”, pedi. A moça do balcão: “Com gás ou com sem gás”. Fiquei uns dois minutos pensando, pensando...e disse: ”Duas cocas, por favor”. Pois é..viajando sempre aprendemos alguma coisa, nem que seja sobre nossa língua portuguesa.

Denúncia: sites de relacionamento são uma fraude!


Eu queria fazer uma denúncia. Me matriculei num site de relacionamentos. Depois de uma semana e pagar a taxa de R$ 850,30/mês, só recebi um email de uma moça interessada, o qual transcrevo abaixo. A foto tá aí do lado.

Bizuca54
· Eu me interesso por música sertaneja e política. Gosto de freqüentar bingo. Estou em busca de um amor caliente e que seja também meu cabo eleitoral. Admiro sinceridade, Paulo Maluf, compromisso, homens calvos e de barba e amizade verdadeira.
· 54 anos
· Moro em Periquitos (AC)
· Estado civil: solteira
· Filhos: 12
· Origem étnica: várias
· Físico: curvilínea
· Altura:1,49
· Religião: daime
· Fumar: charuto
· Bebida: undenberg
· Comida: arroz, feijão e bife.
· Música: xote
· Encontro ideal: jantar no rodízio, depois..quem sabe.

Somos como vinho!


Ontem fui ao aniversário de um grande amigo: o Paulo. Ele é um sujeito muito sofisticado e chique (ao contrário de mim, que sou tosco). Além dele ser também muito divertido e gente boa. Hoje cedo fui caminhar no Parque da Cidade e passou um sujeito vestindo uma camiseta com uma frase que me lembrou na hora do Paulo - mas que serve para todos nós. Ainda mais para mim, que já ultrapassei a barreira dos 40. Tava escrito na camiseta do cara:

"Não estou ficando velho, estou ficando melhor"...é isso aí. Parabéns, queridão.


Eu podia tá roubando...(para o Dia dos Namorados)


Moça!!! moça!!!
Eu podia estar por aí roubando,
mas só estou pedindo um pouquinho da sua atenção.

(Então, oh piranha, vai responder a p#%#@&+* do email que te mandei ou não?)

sábado, 6 de junho de 2009

O “Magonheiro”


Há alguns anos, fui passar o carnaval em Caraíva, no sul de Porto Seguro (BA). É uma ilhota, com rios e praias muito bonitas. Agora não sei como está, mas naqueles tempos nem tinha luz elétrica. Fui com um grupo de amigos. Entre eles estava Aline, uma bonita loirinha que fazia faculdade de psicologia. Entre um dia na praia, uma noite no bar, outra no forró local, uma tarde num boteco, a gente sempre via por perto um cara magrelo, alto, loiro, narigudo e com os cabelos bem longos. Por algum mistério da natureza, Aline ficou encantada pelo sujeito.

Ele tinha, de fato, um aspecto meio místico, que aumentava pelo fato dele estar sempre em algum lugar perto da gente – nem nos demos conta que Caraíva não é tão grande assim e você tromba com todo mundo a toda hora, para qualquer canto que vá. Pois bem, o aspecto da figura e aquela coisa dele estar sempre onde estávamos levou Aline a apelidá-lo de “o mago”. Ele era mesmo muito parecido com um mago. Eu até lembrei de um long-play do Led Zepellin, que tinha um encarte com o desenho de um mago que era a cara daquele ser. E ele sempre sentado num canto, fumando um cigarrinho. De palha, daqueles tipo Souza Paiol.

A Aline, cada vez mais encantada pelo mago dela, não sabia se ia até lá falar com ele ou não. Se declarava seu encanto com o cara, ou ficava na dela. Pois bem, depois de insistirmos muito ela criou coragem e foi falar com o sujeito: “Oi, sabia que você é meu mago?”. O loirão narigudo olhou para ela, para o mar, para a lua, para as estrelas, pro cigarrinho e lascou, meio que aos soquinhos: “Mago...mago...só se for magonheiro”. O mundo de Aline caiu e dali em diante, sempre que víamos o cara, o que obviamente continuava a acontecer, alguém dizia: “La vai o magonheiro da Aline”.